sexta-feira, 26 de março de 2010

MAYA (ou: o relato de uma amiga!)



Nasceu hoje, na casa deles, as 10h41 da manhã, com 3,720 (!) kg : Maya de Araújo Binns.
... linda, rosa, bocuda e rodeada de muito amor e respeito!
Foi o primeiro parto que eu assistí e sendo de uma amiga tão querida, de uma gravidez que eu acompanhei tão de perto, foi muito mais do que emocionante!
Quando Babi engravidou, várias amigas dela diziam que ela tinha que ter um parto domiciliar, eu nunca disse nada disso, apenas lancei minhas sementes do parto humanizado, que encontraram terras muito férteis para brotar, crescer e construir uma história de respeito e protagonismo. Babi nunca sonhou com nenhum tipo de parto, mas uma vez grávida, foi necessário pensar no assunto. E se informar, e conhecer e se abrir para novas perspectivas. Mudou de médico ainda no começo da gravidez, encontrou uma equipe bacana que a fazia se sentir segura, buscou informação, leu, conversou com muitas mães e mulheres e pensou sobre como as experiências que todas viveram poderiam lhe ajudar a construir sua história, linda, única e especial. Como ela dizia: "eu nunca sonhei com nenhum tipo de parto, mas já que ele é inevitável, que pelo menos seja feito com dignidade!" Ainda assim, o parto domiciliar não era um desejo e não sendo uma vontade da mãe, não tem a menor razão de cogitado...
Com 35 semanas de gravidez, depois de se deparar com vários relatos que contavam sobre a dificuldade de sair de casa e ter de ir ao hospital, sentindo-se bem, saudável e conectada com tudo aquilo que ela vinha vivendo, abriu-se para a possibilidade de não querer sair de casa, de se entregar completamente ao processo e deixar seu corpo e seu coração conduzirem o nascimento de sua filha. De verdade, ela não sabia o que iria acontecer quando entrasse em TP, mas estava pronta para o que quer que fosse. (Vale lembrar que a Babi era uma grávida de baixíssimo risco, sem diabetes ou pressão alta, um bebê que se desenvolvia perfeitamente, em posição cefálica, com o pré-natal perfeito, sem nenhuma intercorrência e amparada por uma equipe de profissionais super competente, que realiza partos domiciliares à anos, e sabe identificar com antecedência qualquer risco ou intercorrência durante o trabalho de parto, podendo transferí-la para um bom hospital, num período de 15 minutos, no máximo, tá?!)
22h30 - Babi me liga rindo, dizendo que começou! Estava com contrações doloridas mas ainda sem ritmo. Falei que era legal avisar a doula que a coisa tinha começado e que era para eles contarem o número de contrações por hora, que se fossem ao menos 14 em uma hora ou 7 em meia hora, era sinal que o TP iria engatar... Eles ligaram para a Cris Balzano que disse que como as contrações ainda estavam irregulares, poderia ainda demorar muito...
00h30 - Binns me liga: "ela teve 9 contrações na última meia hora e saiu o tampão!" Eu perguntei se a Babi queria que eu fosse para lá, nem que fosse para dar um beijo e ir embora, ela disse que sim... Fui e qdo cheguei Babi já tinha contrações que duravam 1 minuto num intervalo de 3 minutos entre cada uma, o bicho tava pegando!
01h - Binns ligou para a doula (Cris Balzano) que resolve que é hora de ir para lá.
Estava tudo muito calmo e tranquilo, mas eles ainda estavam meio sem saber muito o que fazer... Eu disse que eles não precisavam mais de preocupar com mais nada, que estava tudo bem e tudo certo, que era hora de se entregar. Eles estavam muito felizes e prontos para receber sua filha em breve.
A Babi é atriz e tem um trabalho corporal muito bem desenvolvido, sabe respirar, conhece seu corpo, seus limites e suas reações... Ela estava muito bem preparada, tinha feito yoga para gestantes e conhecia - ao menos em teoria - o processo pelo qual ela estava passando. Se entregou completamente, respirando com consciência e permitindo-se entregar-se ao transe que a ajudaria trazer sua filha ao mundo.
Tudo correu bem, todos estavam calmos e ela passou a madrugada toda nua, respirando e permitindo que as contrações realizassem o seu trabalho. Nada foi em vão e ainda no início de todo processo, Babi já tinha 2 cm de dilatação e um colo muito fino e bem trabalhado...
Passamos a madrugada assim, todos bem, descansando - na medida do possível - e deixando que ela estivesse segura e amparada para sua viagem à partolândia... e ela foi! Poderosa como uma diva, entregue como uma leoa e respirando como uma yogue!
05h - As contrações se intensificam, Babi pede a banheira, ela já tinha uns 4/5cm de dilatação, a doula chama a parteira (Ana Cris) que chega com a banheira mágica! Uma hora e meia para encher a banheira de ar e depois de água.
06h30 - fui na padaria comprar um café-da-manhã para todos. Babi entra na banheira.
07h - Ela está cansada... passou a madrugada inteira em trabalho de parto ativo, buscando posições, andando, entrando no chuveiro, se apoiando e respirando, respirando, respirando, num transe absoluto e profundo. As contrações dão uma espaçada, os intervalos ficam maiores, ela consegue dormir entre uma contração e outra, tenta descansar, dói muito, mas ela está calma. Ana Cris chama a Dra Cátia (obstetra).
8h30 - Cátia faz o toque e ela está com 7/8cm e um colo tão fino que quase engana... Entra na chamada fase de transição, ainda está cansada, mas não surta como muitas mulheres, não se desespera, não sente medo, não pede anestesia, não luta contra o inevitável... nada, só respira e geme. Eu fui dormir um pouco
acordando com os gemidos e vocalizações da amiga-guerreira.
9h30 - Acordei com gemidos diferentes - é muito louco como cada fase do trabalho de parto é única e tem suas caractérísticas próprias - Babi estava entrando no expulsivo!
Calmamente, sua filha descia pelo canal de parto, a cada contração e gente via que ela estava mais perto. Todos se preparam para a chegada do bebê, o material é preparado, a pediatra está à caminho e o bebê vem descendo, Babi sente muita vontade de fazer força e faz. A cada contração, a sensação de que uma nova vida está começando é mais intensa e o ambiente vai se preenchendo de uma substância mágica, o tempo se suspende e parece andar em câmera lenta...
Ana Cris pergunta se ela quer alguma música especial para esse momento, colocamos o disco de uma cantora que ela gosta, Flávia, nesse disco tem uma música que ela cantava para a filha na barriga e diz que era a música dela. A pediatra chega (Ana Paula Caldas), já é possível ver a cabeça do bebê coroando, 3 contrações e quase metade da cabeça está para fora, mais uma e o bebê desce mais. Ana Cris sugere que a Babi sinta com as mãos a cabeça da filha, ela fica meio aflita mas resolve tocar, se emociona, vem mais uma contração longa, ela faz força e sua filha nasce!
10h41 - Nadando como um peixe, linda, enorme, gorda e forte, nasceu a Maya, que é "pescada" pela Dra. Cátia e a entrega à mãe. Babi está muito emocionada, meio em transe ainda, Binns tb se emociona, eles choram, ela agradece à todos pela ajuda, pelo presente, por estarem ao lado dela e permitirem que ela vissesse esse momento com tanta plenitude. A música da filha começa à tocar!
Depois desse momento ela vem voltando do seu transe, sorri, conversa, está muito feliz! Sente-se bem, e sabe que está tudo bem. Ela vai para a cama com a filha nos braços, o cordão já parou de pulsar, Binns corta o cordão, a filha respira normalmente, vem outra contração, e ela: "mas não tinha acabado?" Não amiga, ainda falta sair a placenta! Mais uma contração, ela faz um tantinho de força e a placenta sai inteira, enorme e vermelha. Cátia examina, ela não tem praticamente nenhuma laceração e não será necessário suturar, a bebê ensaia umas mamadinhas, Binns começa a avisar a família de que Maya nasceu, e rapidamente algumas pessoas chegam! A equipe vai arrumando tudo e em pouco tempo nem parece que rolou um parto naquele lugar, percebo que já é a minha hora de ir para casa, descansar e voltar para a minha familinha!
Estou extremamente feliz por ter podido participar de um momento tão sublime, por ela ter me permitido ser tocada por essa emoção, essa centelha da luz divina. Aprendí muito sobre o parto em si, sobre o parto que tive e sobre aquele que quero ter. Percebo que estou muito mais consciente de todo o processo e sinto que o Leon vai chegar com uma mãe melhor, mais preparada e mais segura! Quero estar calma e entregue como ela! (E preciso aprender a respirar melhor!)
Obrigada minha amiga querida, minha amiga desde a barriga e minha companheira de barriga por esse presente!
Com muito amor, sono, emoção e ocitocina,
Carol.
Nas palavras da própria protagonista:
"fechei meus olhos numa viagem interior incrível, nunca fui tão instrospectiva.
encarei no escuro minhas dores, limites, desesperos, desejos e junto com minha
filha encontramos o caminho, na água.
foi incrível! "
Dá ou não dá o maior orgulho da amiga, da mulher e agora da mãe que nasceu junto com a Maya?

4 comentários:

Maíra Duarte (acompanhada de Gil, mig e Benja) disse...

que liiiiindo!
cudado que vicia hem! hehehe
vem aqui em casa amanhã tomar um café da manha com a gente e dar um beijo no gil. e ve se começa a praticar o jala neti que ajuda muuuito na respiração, vc vai ver. dai a gente faz uns exercícios juntas.
trouxemos um presente indiano pro tom.
saudaaades
bj
ma

Karina disse...

ahhh que lindo!
emocionante...

eu estou a espera ainda da chamada da minha amiga, a bolsa rompeu na quinta a tarde, desde quinta ela vem sentindo contrações, sem dor, e dilatando. hj deve estar com uns 5 cm.
tudo já está preparado, a banheira, a casa... eu estou emocionadíssima por ter o privilégio de ver tudo isso acontecer... o jorge será o médico.
quando nascer dou notícias....

e parabénnnsss pela gravidez, não sabia.... eeee mais bb na area!!!!!


bjosss flor!!

Joana disse...

que maravilha de momento! parabéns a todos e principalmente para a nova mamae. bjs

Geraldo Brito (Dado) disse...

Congratulações para sua amiga.
Parabéns pela gravidez e pelo blog!